A cobrança por meta virou humilhação, ameaça ou um ritmo que você não aguenta? Talvez a saúde já tenha dado sinal: insônia, ansiedade, remédio, afastamento. Esta página explica o que guardar e por onde começar.
Meta é proibida?
Não. Cobrar resultado faz parte do trabalho em banco. O problema começa quando a cobrança deixa de ser gestão e vira abuso.
Exemplos do que costuma ser levado a juízo: ameaça de demissão a cada resultado ruim, xingamento, ranking que expõe quem está abaixo diante da equipe, cobrança por mensagem de madrugada ou no fim de semana, e impedimento de pausas.
Como saber se o meu caso é assédio?
Nenhum item, sozinho, decide. Pesam a repetição, o modo e o efeito sobre você. Pergunte-se:
- aconteceu várias vezes, com a mesma pessoa ou na mesma situação?
- houve exposição na frente de colegas ou de clientes?
- a cobrança falava do resultado, ou de você como pessoa?
- o ritmo exigido era possível dentro da jornada?
Não prometemos que todo caso será reconhecido. Dizemos, depois de ver o que você tem, se há base.
O que guardar como prova?
Comece agora, mesmo que não pense em processo:
- mensagens e e-mails que você recebeu, com data e nome de quem enviou;
- prints de grupos de trabalho e de rankings;
- áudios que mandaram a você;
- nomes de colegas que viram ou passaram pelo mesmo;
- atestados, receitas, laudos e comprovantes de consulta;
- pedidos seus ao RH ou à ouvidoria, e as respostas;
- a CAT (comunicação de acidente de trabalho), se o banco a emitiu.
Salve uma cópia em lugar seu. Conta e aparelho do banco podem ser desligados na saída.
O que não fazer?
- Não leve documento interno que não tenha chegado a você pelos caminhos normais do trabalho.
- Antes de gravar uma conversa, fale conosco.
- Não apague mensagens, mesmo as que parecem fracas.
Adoeci por causa do trabalho. O que fazer?
Cuide da saúde primeiro e guarde cada documento do médico. Se o médico escrever que a doença tem relação com o trabalho, guarde o laudo. Não prometemos que essa ligação será reconhecida, porque depende de prova. Conferimos o que existe.
Se o afastamento for pelo INSS, o benefício tem regras próprias. Veja Auxílio-doença.
Estou no banco e não aguento mais. Posso pedir demissão?
Antes de decidir, converse conosco. A forma como o contrato termina muda os pedidos possíveis e a data de onde parte o prazo. Não decidimos por você: mostramos o que cada caminho muda para que a escolha seja sua, com os documentos reunidos.
Enquanto isso, mantenha o tratamento, guarde os registros e evite combinar saída por mensagem sem ler o que está sendo oferecido.
O que mais vale conferir junto com as metas?
A pressão por meta costuma andar com outros temas: horas extras não pagas, comissão estornada e cargo de confiança só no nome. Olhamos o conjunto.
Quanto tempo eu tenho para cobrar?
O prazo geral é de 2 anos depois do fim do contrato (art. 7º, XXIX, da Constituição). Quem ainda está no banco tem o prazo em aberto, mas conversar antes de pedir demissão é mais seguro. Veja Saí do banco.
Como funciona o pagamento do escritório?
Só no êxito. Você não paga nada adiantado, e os honorários saem do que for recebido. O que você conta ao advogado é sigiloso.
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Quem escreve: Guilherme Velloso, advogado, OAB/MG 192.212. Titular do Velloso Advogados, em Belo Horizonte, atua em Direito do Trabalho, com foco em bancários, e atende online em todo o Brasil.
